Escolher entre um financiamento imobiliário em 15 ou 35 anos é uma decisão que influencia o valor das parcelas, o custo total do crédito e a organização financeira ao longo do contrato. Enquanto um prazo menor permite quitar a dívida mais rapidamente, um prazo maior pode oferecer prestações mais acessíveis e flexibilidade para antecipar pagamentos quando houver dinheiro disponível.
Mas, afinal, vale mais a pena contratar um financiamento em 15 anos e assumir parcelas maiores ou optar por 35 anos e amortizar a dívida conforme a disponibilidade financeira?
Segundo Ronaldo Queiroz, gerente da CrediPronto, contratar o financiamento pelo prazo máximo disponível pode ser uma estratégia interessante para quem deseja preservar a flexibilidade do orçamento e antecipar a quitação do imóvel.
Neste artigo, você vai entender as diferenças entre os prazos, como funciona a amortização antecipada e o que considerar antes de escolher a melhor alternativa para o seu planejamento financeiro.

Crédito da Foto: Ronaldo Queiroz e Dalton Toledo durante gravação do podcast SP Imóvel Cast. | SP Imóvel
Financiamento em 15 ou 35 anos: qual é a diferença?
A principal diferença entre financiar um imóvel em 15 ou 35 anos está no tempo disponível para pagar a dívida. Em geral, quanto menor o prazo, maior tende a ser o valor das parcelas. Já um prazo mais longo permite distribuir o pagamento por mais meses, reduzindo o compromisso mensal, mas pode aumentar o total de juros pagos caso o contrato seja mantido até o fim.
No financiamento em 15 anos, o comprador precisa ter capacidade financeira para assumir prestações maiores. Em contrapartida, pode quitar o imóvel mais rapidamente e reduzir o período de incidência dos juros.
Já no financiamento em 35 anos, quando esse prazo estiver disponível para a modalidade e o perfil do cliente, as parcelas tendem a ser menores, o que pode proporcionar mais espaço no orçamento para despesas, investimentos e formação de uma reserva financeira.
Para Ronaldo Queiroz, a possibilidade de contratar um prazo maior e antecipar a quitação merece atenção.
“Se você contratar um financiamento em 35 anos e você quitar em 15, é similar a você contratar em 15 e quitar em 15.”
A comparação, porém, depende das condições do contrato, da taxa de juros, do sistema de amortização e de como e quando os pagamentos extraordinários são realizados. Por isso, é importante comparar simulações antes de tomar uma decisão.
Outro fator relevante é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos da operação. Avaliar somente o valor da primeira parcela pode levar a uma escolha que não seja a mais vantajosa no longo prazo.
Como o prazo do financiamento influencia o valor da parcela?
O prazo é um dos fatores que determinam o valor das prestações de um financiamento imobiliário. Mantidas as demais condições, distribuir a dívida por mais meses tende a reduzir o valor de cada parcela. Já um prazo menor exige pagamentos mensais mais elevados.
O valor final depende do montante financiado, da taxa de juros, do sistema de amortização, dos seguros e dos demais encargos previstos no contrato.
Financiamento com prazo menor
Ao contratar um financiamento em 15 anos, o comprador assume o compromisso de pagar a dívida em um período mais curto. Por isso, as parcelas tendem a ser maiores do que seriam em um contrato de 35 anos, considerando as mesmas condições.
A principal vantagem é a possibilidade de quitar o imóvel mais rapidamente e reduzir o tempo durante o qual incidem juros sobre o saldo devedor.
Essa alternativa pode ser interessante para quem tem renda estável, despesas controladas e reserva financeira suficiente para lidar com imprevistos sem comprometer o pagamento das prestações.
Antes de escolher o prazo menor, entretanto, é importante avaliar se a parcela continuará confortável diante de possíveis mudanças na renda, aumento das despesas familiares ou outras necessidades financeiras.
Financiamento com prazo maior
Um financiamento em 35 anos permite distribuir o pagamento por um período mais longo, o que tende a reduzir o valor da prestação mensal em comparação com um contrato mais curto.
Essa diferença pode proporcionar maior flexibilidade financeira. Em vez de comprometer uma parcela elevada da renda com o financiamento, o comprador pode preservar recursos para despesas essenciais, formação de uma reserva de emergência e outros objetivos.
Além disso, um contrato com prazo maior pode permitir amortizações extraordinárias quando houver dinheiro disponível, conforme as condições da operação.
A estratégia, no entanto, exige planejamento. Se o comprador pagar somente as prestações previstas durante todo o prazo, o custo total poderá ser maior. Por isso, é importante avaliar se a possibilidade de amortizar a dívida no futuro é realista e compatível com o orçamento.
Para ter uma referência prática dos valores envolvidos, veja também quanto fica a parcela de um financiamento de R$ 300 mil pela Caixa em 2026.
É possível contratar em 35 anos e quitar antes?
Sim. Em geral, é possível contratar um financiamento imobiliário com prazo mais longo e antecipar a quitação por meio de pagamentos extraordinários, observadas as condições do contrato e as regras aplicáveis à operação.
Essa estratégia permite combinar uma prestação mensal inicialmente mais baixa com a possibilidade de reduzir a dívida quando houver recursos disponíveis.
Por exemplo, uma pessoa pode contratar um financiamento de longo prazo para manter uma prestação compatível com sua renda e, posteriormente, utilizar parte de um bônus profissional, uma renda extra ou outros recursos para amortizar o saldo devedor.
O resultado depende do valor amortizado, da taxa de juros, do tempo restante do contrato e do sistema de amortização utilizado.
Como funciona a amortização antecipada?
A amortização antecipada consiste em realizar um pagamento adicional para reduzir o saldo devedor do financiamento. Como os juros futuros são calculados sobre a dívida restante, reduzir esse saldo pode diminuir o custo financeiro da operação.
Em geral, o cliente pode solicitar uma das seguintes alternativas, conforme as condições oferecidas pela instituição financeira:
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Reduzir o prazo do financiamento: diminuir o tempo necessário para quitar a dívida.
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Reduzir o valor das parcelas: manter o prazo restante e diminuir o compromisso mensal.
A redução do prazo pode ser interessante para quem deseja terminar de pagar o imóvel mais rapidamente e reduzir os juros futuros. Já a redução das parcelas pode ser mais adequada para quem precisa aliviar o orçamento mensal.
A escolha deve considerar os objetivos financeiros e o impacto de cada opção no contrato.
Amortização com recursos próprios
O comprador pode utilizar recursos próprios para amortizar o financiamento, como parte de uma renda extra, um bônus profissional, uma restituição de imposto ou dinheiro acumulado ao longo do tempo.
Essa alternativa oferece flexibilidade para realizar pagamentos extraordinários quando houver disponibilidade financeira, sem depender das condições específicas para utilização do FGTS.
Na entrevista, Ronaldo Queiroz destaca a possibilidade de antecipar pagamentos com recursos próprios:
“Se for com recurso próprio, você não tem carência, você não tem prazo, você não tem taxas. Então, a qualquer momento, diante daquela organização financeira, você pode ir lá e amortizar.”
A fala destaca a flexibilidade dessa estratégia. Antes da publicação, porém, é importante confirmar com a CrediPronto as condições mencionadas, pois eventuais procedimentos e encargos devem ser verificados conforme o contrato e a operação.
Também é importante evitar o uso de todo o dinheiro disponível para antecipar a dívida. Manter uma reserva de emergência ajuda a cobrir despesas inesperadas sem a necessidade de recorrer a empréstimos ou comprometer o pagamento das parcelas.
Antes de amortizar, vale avaliar ainda o custo do financiamento e o rendimento líquido de eventuais aplicações financeiras.
Para aprofundar a comparação entre as alternativas, leia também: é melhor amortizar ou liquidar o financiamento imobiliário?.
Amortização usando FGTS
Em determinadas situações, o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser utilizado para amortizar o financiamento imobiliário, reduzir o valor das prestações ou liquidar a dívida.
A utilização depende do enquadramento do trabalhador, do imóvel e do contrato nas regras vigentes. Também é necessário observar os intervalos e os demais requisitos aplicáveis a cada modalidade.
Por isso, antes de planejar uma amortização com FGTS, consulte a instituição financeira responsável pelo contrato e confirme as condições para utilizar os recursos.
Essa possibilidade pode ser relevante para quem acumula saldo no fundo ao longo dos anos e deseja acelerar a quitação do imóvel ou reduzir o compromisso mensal.
Também vale entender a diferença entre amortizar o prazo ou o valor da parcela do financiamento imobiliário.

Crédito da Foto: Gravação do SP Imóvel Cast | SP Imóvel
Prazo maior significa pagar mais juros?
Em geral, sim, quando as demais condições são equivalentes e o financiamento é mantido por todo o prazo contratado. Um período mais longo significa que a dívida permanece ativa por mais tempo, permitindo a incidência de juros durante um intervalo maior.
Isso não significa, porém, que contratar um prazo de 35 anos obriga o comprador a pagar juros durante os 35 anos completos. Se houver amortizações extraordinárias ou quitação antecipada, o custo financeiro poderá ser reduzido.
Considere duas pessoas que financiam o mesmo valor, com a mesma taxa de juros e condições contratuais comparáveis. Uma escolhe um prazo de 15 anos, enquanto a outra contrata 35 anos e paga apenas as prestações previstas até o final. Em geral, a segunda pessoa pagará mais juros ao longo do contrato.
Se a pessoa que contratou o prazo maior realizar amortizações frequentes e quitar a dívida antecipadamente, o resultado poderá ser diferente.
Para comparar as opções corretamente, avalie:
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O valor total das prestações.
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Os juros e demais encargos ao longo do contrato.
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O Custo Efetivo Total (CET).
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A possibilidade de realizar amortizações extraordinárias.
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O impacto de cada estratégia no orçamento mensal.
O mais importante é não considerar apenas a parcela inicial. O custo total e a segurança financeira durante o período do financiamento também devem fazer parte da decisão.
O que considerar antes de escolher o prazo do financiamento?
A escolha entre um financiamento de 15 ou 35 anos deve levar em conta não apenas o custo do crédito, mas também a capacidade de pagamento e a organização financeira do comprador.
Um prazo curto pode ser vantajoso para quem consegue assumir parcelas maiores com tranquilidade. Já um prazo longo pode proporcionar flexibilidade, desde que o comprador compreenda o custo de manter a dívida por mais tempo.
Antes de contratar, considere três fatores principais.
Capacidade de pagamento mensal
O primeiro passo é verificar quanto da renda pode ser destinada ao financiamento sem comprometer despesas essenciais e outros compromissos financeiros.
Além da parcela do imóvel, considere gastos com condomínio, IPTU, manutenção, contas domésticas e eventuais despesas familiares.
Também é importante avaliar a estabilidade da renda. Quem trabalha por conta própria ou recebe valores variáveis pode precisar de uma margem maior de segurança para lidar com meses de faturamento menor.
A melhor prestação não é necessariamente a menor possível nem a que permite quitar o imóvel mais rápido. É aquela que cabe no orçamento com segurança e previsibilidade.
Reserva financeira
A reserva de emergência é um elemento importante na decisão sobre o prazo do financiamento.
Ao escolher uma prestação elevada para quitar o imóvel mais rapidamente, o comprador pode reduzir sua capacidade de lidar com imprevistos, como perda de renda, despesas médicas ou reparos inesperados.
Por outro lado, contratar um prazo longo não significa que todo o dinheiro economizado nas parcelas deva ser gasto. Parte desses recursos pode ser destinada à formação de uma reserva e, posteriormente, à amortização do financiamento.
Antes de antecipar pagamentos, avalie quanto dinheiro precisa permanecer acessível para cobrir despesas imprevistas.
Possibilidade de amortização futura
A possibilidade de amortizar o financiamento deve ser considerada no planejamento, mas não tratada como uma certeza.
Se houver expectativa de receber bônus, aumentar a renda ou acumular recursos ao longo do tempo, um prazo maior pode oferecer flexibilidade para antecipar pagamentos quando a situação financeira permitir.
Ainda assim, é prudente escolher um financiamento que possa ser pago mesmo que a renda não aumente ou os recursos extras não apareçam.
Uma estratégia possível é contratar uma prestação compatível com o orçamento atual, formar uma reserva financeira e realizar amortizações periódicas quando houver excedente. Dessa forma, o comprador pode buscar a redução da dívida sem depender de receitas futuras incertas.
Posso mudar o prazo do financiamento depois de contratado?
Em geral, não é possível simplesmente ampliar o prazo original de um financiamento imobiliário por solicitação unilateral do cliente. As condições de alteração dependem do contrato, das políticas da instituição financeira e das regras aplicáveis.
É importante diferenciar duas situações: reduzir o prazo por meio de amortizações extraordinárias e renegociar um contrato para ampliar o período de pagamento.
Na amortização antecipada, o cliente utiliza recursos para reduzir a dívida e pode, conforme as opções disponíveis, diminuir o prazo restante ou o valor das prestações.
Já a ampliação do prazo exige uma renegociação ou outra operação aceita pela instituição financeira. Não há garantia de aprovação, e as condições podem mudar.
Durante a entrevista no SP Imóvel Cast, Ronaldo Queiroz explica essa limitação de forma direta:
“Você não pode simplesmente aumentar o prazo.”
Uma alternativa a avaliar é a portabilidade do financiamento imobiliário. Nesse processo, o cliente transfere a dívida para outra instituição financeira, que analisa a operação e apresenta suas próprias condições de crédito.
A possibilidade de negociar um prazo diferente depende da aprovação da nova instituição e das regras da operação. Antes de decidir, compare taxas de juros, CET, prazo, seguros e eventuais custos envolvidos.
Financiamento em 15 ou 35 anos: qual é a melhor escolha?
Escolher entre um financiamento imobiliário em 15 ou 35 anos exige equilibrar o custo total do crédito com a segurança do orçamento mensal.
Um prazo menor pode ser interessante para quem consegue assumir parcelas mais altas sem comprometer outras necessidades financeiras. Um prazo maior pode oferecer flexibilidade para organizar as finanças e realizar amortizações antecipadas quando houver recursos disponíveis.
Como destaca Ronaldo Queiroz, a possibilidade de contratar um prazo maior e quitar a dívida antecipadamente merece ser considerada no planejamento. Ainda assim, a decisão deve levar em conta as condições reais do contrato, a reserva de emergência e a capacidade de manter os pagamentos mesmo diante de imprevistos.
Antes de assinar, compare simulações e avalie qual alternativa faz mais sentido para sua realidade financeira.
Quer pagar menos juros no financiamento imobiliário?
Entenda como a amortização antecipada pode ajudar a reduzir sua dívida. Confira também nosso artigo sobre a melhor forma de amortizar o financiamento imobiliário.
Perguntas frequentes sobre prazo do financiamento
É melhor financiar um imóvel em 15 ou 35 anos?
Depende da renda, da capacidade de pagamento e dos objetivos financeiros. O prazo de 15 anos tende a exigir parcelas maiores e permite quitar a dívida mais rapidamente. O prazo de 35 anos tende a oferecer parcelas menores, mas pode aumentar o custo total se o financiamento for mantido por todo o período.
Posso financiar em 35 anos e quitar em 15?
Sim, desde que as condições do contrato permitam a quitação antecipada e o comprador tenha recursos para realizar os pagamentos adicionais. Ao amortizar o saldo devedor, é possível reduzir o prazo ou o valor das parcelas, conforme as opções oferecidas pelo banco.
Financiar em 35 anos sempre sai mais caro?
Mantidas as mesmas condições e sem amortizações antecipadas, um prazo maior geralmente resulta em mais juros acumulados. A comparação deve considerar o prazo efetivo de pagamento, a taxa de juros, os encargos e as amortizações realizadas.
Vale a pena amortizar o financiamento ou investir o dinheiro?
A resposta depende da taxa efetiva do financiamento, do rendimento líquido esperado dos investimentos, da liquidez necessária e do risco envolvido. Antes de amortizar, também é importante preservar uma reserva financeira para emergências.
Posso usar o FGTS para reduzir o prazo do financiamento?
Em determinadas condições, sim. O FGTS pode ser utilizado para amortizar ou liquidar um financiamento imobiliário, desde que sejam atendidos os requisitos vigentes. Consulte o banco para confirmar a elegibilidade, os intervalos de utilização e as modalidades disponíveis.
Posso aumentar o prazo do financiamento depois de contratado?
Não é possível presumir que o banco permitirá a ampliação do prazo original. A mudança depende de negociação e aprovação da instituição financeira. A portabilidade também pode ser avaliada, mas não garante a aprovação de um novo prazo.
Como saber qual prazo oferece o menor custo total?
Solicite simulações com o mesmo valor financiado e compare taxas de juros, CET, valor das prestações e custo total estimado. Se pretende amortizar antecipadamente, peça também simulações com diferentes valores e frequências de amortização.
Vai financiar um imóvel?
Antes de escolher o prazo, compare as condições de financiamento e avalie qual valor de parcela cabe no seu orçamento. Acesse o SP Imóvel, encontre opções de imóveis à venda e comece a planejar a compra do seu próximo imóvel considerando seu orçamento e suas possibilidades de financiamento
Sobre Ronaldo Queiroz
Ronaldo Queiroz é formado em Economia pela PUC-SP e atua no mercado de crédito imobiliário desde 2017 como gerente comercial da CrediPronto. Ao longo de sua trajetória profissional, também trabalhou como bancário e corretor de imóveis, com experiência em empresas como Delforte Iprice, Coelho da Fonseca e Lopes.
Com atuação junto a incorporadoras, assessorias e imobiliárias, Ronaldo reúne experiência nos segmentos de crédito e mercado imobiliário.
Em setembro de 2026, participou de uma gravação do SP Imóvel Cast, com a presença de Dalton Toledo, CEO do Grupo SP Imóvel, para compartilhar conhecimentos e experiências sobre o mercado imobiliário e o financiamento habitacional.